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Prova Escrita de Biologia e Geologia A – versão 1
Prova 702: Época Especial – 2022
GRUPO I
→ Texto 1
A Faixa Piritosa Ibérica (FPI), localizada na região sudoeste da Península Ibérica, entre Lagoa Salgada e Sevilha, é uma das regiões metalogenéticas mais importantes do mundo e constitui, provavelmente, a maior concentração de sulfuretos polimetálicos na crosta terrestre, apresentando cerca de 300 km de comprimento e 30 a 60 km de largura. Os sulfuretos polimetálicos são compostos de enxofre e de metais ‒ ferro, cobre, zinco e chumbo, entre outros ‒ que originaram minérios como a pirite e a calcopirite, os quais se encontram associados a rochas sedimentares e a rochas vulcânicas, essencialmente félsicas, formadas no Paleozoico superior.
No Devónico superior (383 a 359 milhões de anos ‒ Ma), a área correspondente à FPI fazia parte de um mar pouco profundo. A partir do final do Devónico, a crosta continental subjacente a este mar começou a sofrer distensão, provocando a formação de falhas que originaram elevações e depressões. Ao longo das falhas, ascenderam magmas de origem mantélica que provocaram sobreaquecimento da crosta. Da fusão parcial da crosta resultaram magmas félsicos, que originaram numerosos aparelhos vulcânicos constituídos por lavas e/ou domos, intercalados, por vezes, com unidades piroclásticas. As depressões formaram bacias no fundo do mar, que foram sendo preenchidas por sedimentos. A circulação de fluidos hidrotermais com origem na infiltração da água do mar ou com origem magmática, através das fraturas das rochas, conduziu à deposição de sulfuretos polimetálicos na crosta, originando os jazigos da FPI. À superfíce, estes fluidos estiveram na origem da formação de rochas sedimentares ricas em sílica ‒ chertes e jaspes ‒ e facilitaram a proliferação de radiolários, protistas unicelulares do zooplâncton, com esqueleto silicioso.
Mais tarde (± 347-330 Ma), a mudança para um regime compressivo levou ao levantamento do fundo do mar e originou diversas estruturas em antiforma-anticlinal.
A Figura 1 representa o mapa geológico simplificado da Faixa Piritosa Ibérica, com localização de alguns dos principais depósitos de sulfuretos existentes nesta região metalogenética.
Figura 1
Baseado em: J. Oliveira et al., «O Complexo Vulcano Sedimentar da Faixa Piritosa: Estratigrafia, Vulcanismo, Mineralizações associadas e Evolução tectono-estratigráfica no contexto da Zona Sul Portuguesa», in R. Dias et al. (org.), Geologia de Portugal, Vol. I, Escolar Editora, 2008.
1. As rochas vulcânicas predominantes na FPI, quanto às suas características e génese, são ______.
(A) ricas em minerais ferromagnesianos e resultantes de um processo de cristalização fracionada.
(B) resultantes da consolidação de um magma com baixa viscosidade, como os riólitos
(C) leucocráticas e resultantes de um magma proveniente da fusão parcial da crosta.
(D) resultantes da formação de um magma crustal, induzida pelo baixo fluxo geotérmico.
_______________________________________________________________________________________________________________________
- Opção C
2. Na FPI, existem argilitos com matéria orgânica, que, quanto à sua génese, são rochas _____.
(A) de natureza detrítica e indiciam um ambiente de formação com elevadas quantidades de oxigénio.
(B) resultantes da acumulação de sedimentos finos e indiciam um ambiente de formação pouco oxigenado.
(C) de natureza quimiogénica e indiciam um ambiente de formação com reduzidas quantidades de oxigénio.
(D) resultantes de sedimentos grosseiros e indiciam um ambiente de formação muito oxigenado.
- Opção B
3. Selecione, de entre as afirmações relacionadas com a região da Faixa Piritosa Ibérica, as três afirmações corretas.
I. Entre 347 e 330 Ma, a FPI foi sujeita a processos de deformação associados a forças compressivas.
II. Os depósitos de sulfuretos polimetálicos formaram-se na crosta oceânica.
III. A bacia onde se formaram os jazigos polimetálicos resultou da existência de falhas inversas.
IV. Na região nordeste da FPI houve magmatismo intrusivo, durante o Paleozoico.
V. A existência de domos intercalados com unidades piroclásticas evidencia uma atividade vulcânica explosiva.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Afirmações corretas: I, IV e V.
4. Um antiforma-anticlinal é uma estrutura que apresenta concavidade virada para ____ e, no núcleo, as rochas mais _____.
(A) baixo … antigas
(B) baixo … recentes
(C) cima … antigas
(D) cima … recentes
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção A
5. Os microfósseis, em particular o grupo dos palinomorfos, incluem restos microscópicos orgânicos de seres vivos aquáticos, de esporos e de pólenes de plantas primitivas que foram colonizando a Terra. Estes microfósseis são muito comuns em algumas rochas da FPI, permitindo datações muito rigorosas. Uma das condições que fazem de alguns palinomorfos bons fósseis de idade é _____.
(A) terem uma curta distribuição estratigráfica.
(B) poderem ser usados na datação absoluta das rochas.
(C) permitirem a reconstituição de paleoambientes.
(D) serem contemporâneos das rochas que os contêm.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção A
6. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta de acontecimentos que conduziram à formação de depósitos de sulfuretos na Faixa Piritosa Ibérica e à evolução geológica da região.
A. Ascensão de magma de origem mantélica.
B. Distensão da crosta continental.
C. Formação de depósitos de sulfuretos.
D. Formação da Falha da Messejana.
E. Metamorfismo regional.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- B, A, C, E, D
7. A circulação de fluidos hidrotermais na crosta, sob a forma de correntes de convecção, deu lugar a processos físico-químicos que conduziram à formação dos jazigos da FPI.
Explique de que modo a circulação dos fluidos hidrotermais contribuiu para a existência de jazigos de diversos metais na FPI.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Explica que, na zona da FPI, os fluidos hidrotermais circularam em profundidade nas rochas (A), enriquecendo-se em iões metálicos (B) e depositando metais durante a sua ascensão (C).
- (A) Os fluidos hidrotermais circularam nas rochas, atingindo elevadas profundidades e aumentando a sua temperatura.
- (B) Os fluidos foram reagindo quimicamente com as rochas, enriquecendo-se em iões metálicos.
- (C) Durante o processo de ascensão, os fluidos foram arrefecendo e foram depositando os metais que deram origem aos jazigos da FPI.
8. Explique a proliferação dos radiolários na área correspondente à FPI, relacionando a composição química dos fluidos hidrotermais que emergiram no fundo do mar com a litologia da região e com a construção dos esqueletos daqueles organismos.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Explica a proliferação dos radiolários, relacionando a composição química dos fluidos hidrotermais com a litologia da região (A) e com a construção dos esqueletos daqueles organismos (B).
- (A) Os fluidos hidrotermais enriqueceram em sílica ao circularem em rochas com minerais félsicos (OU em rochas ricas em sílica).
- (B) Os fluidos hidrotermais disponibilizaram, na água do mar, a sílica que permitiu a construção dos esqueletos dos radiolários, facilitando a sua proliferação.
→ Texto 2
Em Portugal, o Montado forma um habitat heterogéneo cujo coberto arbóreo é dominado por sobreiros (Quercus suber) e azinheiras (Quercus rotundifolia). Além da produção de bolota (fruto que acumula substâncias de reserva, utilizado para fins alimentares), da remoção de carbono atmosférico e da conservação dos solos, estas árvores disponibilizam abrigo e alimento para inúmeras espécies com as quais estabelecem interações.
O sobreiro tem grande capacidade de sobrevivência, o que se deve, em parte, à sua variabilidade intraespecífica. As plântulas que crescem em situações de escassez de água apresentam uma redução do rácio caule/raiz devido à estimulação do crescimento mais profundo das raízes. O sobreiro domina em zonas de solos profundos, arejados, com capacidade razoável de retenção de nutrientes e de água, que permitem uma grande expansão radicular. Não tolera nem solos calcários nem solos encharcados.
As folhas da azinheira são espessas e rígidas, apresentam os estomas concentrados em cavidades e são revestidas por ceras que refletem a luz solar. Ao longo do dia, há um rigoroso controlo da abertura e do fecho dos estomas, verificando-se que, ao meio-dia, estes se encontram fechados.
Phytophthora cinnamomi é um oomiceto, um organismo semelhante aos fungos, que se associa com frequência, tal como estes, às raízes de Q. suber e de Q. rotundifolia, e que bloqueia os vasos condutores destas árvores, sendo responsável pelo seu declínio. Através da análise do mRNA de raízes infetadas, foram identificados genes que se expressam de forma diferencial durante esta interação. As sequências de quatro destes fragmentos apresentam homologia com genes relacionados com o sistema de defesa, existentes noutras espécies de plantas.
Baseado em: I. Bento, «Valorização de Sistemas de Elevado Valor Natural: Potencialidades da Bolota do Montado», mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2020; e em: A. Coelho, «Estudo da biodiversidade molecular de Quercus suber e caracterização de genes envolvidos na resposta de defesa à infecção por Phytophthora cinnamomi», Faculdade de Engenharia de Recursos Naturais, Universidade do Algarve, 2003.
9. Nas florestas portuguesas, cerca de 20% do carbono total é retido pelo sobreiro. A absorção do dióxido de carbono reflete-se _____.
(A) diretamente no aumento da oxidação de NADPH no cloroplasto.
(B) diretamente na diminuição da ascensão da seiva xilémica.
(C) diretamente no aumento da concentração de amido na bolota.
(D) diretamente na diminuição da distribuição de O2 aos tecidos.
- Opção A
10. Durante o processo de síntese proteica, as moléculas de mRNA identificadas nas células das raízes de Quercus suber foram _____.
(A) transcritas a partir de uma sequência de codões.
(B) processadas de forma alternativa, no citoplasma.
(C) traduzidas em condições específicas de infeção.
(D) sintetizadas nos ribossomas associados ao RER.
- Opção C
11. Segundo uma perspetiva darwinista, a capacidade adaptativa de Quercus suber deve-se _____.
(A) à necessidade de sobrevivência em solos com uma elevada permeabilidade.
(B) à reprodução diferencial de plantas resistentes a solos com escassez de água.
(C) à variabilidade que permite a adaptação a solos ricos em CaCO3.
(D) à seleção natural de plantas adaptadas a solos pouco profundos.
- Opção B
12. Considerando os momentos em que ocorrem a meiose e a fecundação nos ciclos de vida de Quercus suber e de Quercus rotundifolia, pode afirmar-se que _____.
(A) os núcleos dos esporos são diploides.
(B) a meiose é pós-zigótica.
(C) os gametófitos são haploides.
(D) o esporo dá origem ao esporófito.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção C
13. Complete o texto seguinte com a opção adequada a cada espaço. A cada letra corresponde um só número.
Quercus suber e Quercus rotundifolia pertencem a diferentes ______a) . Quanto ao modo de nutrição, são __________ b) e possuem células ________ c) . Os insetos com que interagem são __________ d) ,e os fungos associados às suas raízes apresentam digestão __________ e) .
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- (a) – 3
- (b) – 2
- (c) – 1
- (d) – 2
- (e) – 3
14. Associe cada uma das descrições relativas a níveis de organização biológica, expressas na Coluna I, ao nível de organização correspondente, que consta na Coluna II.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
| Coluna I | Coluna II |
|
(A) Conjunto de azinheiras e dos seres vivos que vivem nas suas raízes. (B) Grupo de sobreiros que habita um determinado local. (C) Conjunto de células semelhantes, responsável pela produção de matéria orgânica. |
(1) Comunidade (2) Ecossistema (3) Órgão (4) População (5) Tecido |
- (a) – 1;
- (b) – 4;
- (c) – 5
15. Explique de que modo o revestimento foliar e a localização dos estomas nas folhas de Q. rotundifolia contribuem para evitar a dessecação em ambientes áridos.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Explica qual o contributo, para evitar a dessecação em ambientes áridos, do revestimento foliar (A) e da localização dos estomas (B) em Q. rotundifolia.
- (A) A existência de folhas revestidas por ceras contribui para uma maior reflexão da luz solar e, consequentemente, para um menor aquecimento foliar e para a diminuição da evapotranspiração (OU da perda de água).
- (B) A localização dos estomas em cavidades reduz a sua exposição direta ao ar (OU cria um ambiente húmido), evitando a perda excessiva de água por transpiração.
16. Em Portugal, a maior distribuição do sobreiro ocorre nas regiões do Tejo e do Sado, em que os solos são arenosos e apresentam uma camada de argila em profundidade.
Relacione a capacidade de sobrevivência de Q. suber com as características destes solos e com o desenvolvimento das suas raízes.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Relaciona a capacidade de sobrevivência de Q. suber com as características dos solos das regiões em que ocorre (A) e com o desenvolvimento das suas raízes (B).
- (A) A existência de solos arenosos permeáveis, com uma camada impermeável de argila em profundidade permite a infiltração da água e a sua acumulação no solo.
- (B) A capacidade de desenvolver raízes profundas permite a Q. suber captar a água necessária à sua sobrevivência.
→ Texto 3
Com o objetivo de explorar a potencialidade de valorização da bolota como fonte alimentar e como indicador das respostas de adaptação do ecossistema às alterações climáticas, foram avaliadas diferentes características (morfológicas e químicas) da bolota de Quercus rotundifolia (QR) e de Quercus suber (QS) ao longo de um gradiente climático. O estudo foi realizado em montados de sobreiro, de azinheira e mistos, aleatoriamente distribuídos na região do Alentejo, cobrindo grande parte da região de modo a incluir variabilidade quanto às características climáticas.
– Contabilizaram-se 67 locais de amostragem.
– Determinaram-se duas classes climáticas em função do índice de aridez (IA1): clima semiárido (0,2<IA<0,5) e clima seco sub-húmido (0,5<IA<0,65).
– Selecionaram-se 10 árvores adultas, em cada local de amostragem, para proceder à colheita de bolotas, durante o período compreendido entre outubro e dezembro de 2018.
– Colheram-se aleatoriamente 10 bolotas, por árvore, em diferentes ramos da copa.
– Determinou-se a massa das bolotas (g).
– Mediu-se o comprimento das bolotas (mm).
– Calculou-se o volume das bolotas (cm3).
– Quantificaram-se os glúcidos solúveis, isto é, a frutose, a glucose e a sacarose, e quantificaram-se os glúcidos insolúveis, isto é, o amido, nas bolotas (mg/g).
Nas Tabelas I e II, estão expressos, em valores médios, os resultados do estudo relativos a massa, comprimento, volume e teores em glúcidos das bolotas.
No que diz respeito aos teores em glúcidos, o estudo também revelou que, em QR, o aumento da aridez se traduz num aumento da fração insolúvel e numa diminuição da fração solúvel. Em QS, observa-se a manutenção de ambas as frações, independentemente da classe climática.
Tabela I
Tabela II
Nota:
1 IA (índice de aridez) – utilizado para medir a «secura» do clima de um local específico, em que IA ≥ 0,65 corresponde a um clima húmido.
Baseado em: I. Bento, «Valorização de Sistemas de Elevado Valor Natural: Potencialidades da Bolota do Montado», mestrado em Ecologia e Gestão Ambiental, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2020.
17. Tendo em conta o objetivo do estudo, uma das variáveis dependentes é ____.
(A) a natureza do solo.
(B) o índice de aridez.
(C) a quantidade de sobreiros analisados.
(D) o teor em glúcidos insolúveis na bolota.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção D
18. Contribui para a fiabilidade dos resultados deste estudo _____.
(A) a colheita de bolotas ter sido aleatória.
(B) a quantificação dos glúcidos solúveis e insolúveis.
(C) a seleção de montados mistos de sobreiro e azinheira.
(D) o cálculo do volume das bolotas.
- Opção A
19. Selecione de entre as afirmações relacionadas com a análise dos resultados experimentais, as três afirmações corretas.
I. No caso das amostras de bolota de QS, o teor médio de glucose no total dos glúcidos solúveis é maior do que nas amostras de QR.
II. As bolotas que apresentam maior comprimento médio são as que possuem maior concentração de polissacáridos.
III. A diferença nos teores médios em frutose entre as duas espécies é inferior a 0,10 mg/g.
IV. As bolotas de QR possuem menor teor médio de dissacáridos, em comparação com as de QS.
V. O volume médio das bolotas de cada uma das espécies é infuenciado pelo clima.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Afirmações corretas: I, II e III.
20. A produção de energia a partir de glúcidos, em vias metabólicas de elevado rendimento energético, requer a _____.
(A) oxidação de acetil-CoA nas cristas mitocondriais.
(B) produção de dióxido de carbono no hialoplasma.
(C) redução do ácido pirúvico com formação de lactato.
(D) fosforilação oxidativa com formação de água.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção D
21. A razão carbono/nitrogénio (rácio C/N) nas bolotas é de 40,6 em QS e de 52,2 em QR. Em termos comparativos, estes valores indiciam que ____.
(A) nas bolotas de QR ocorre menor acumulação de glúcidos.
(B) as bolotas de QS possuem maior teor em proteínas.
(C) nas bolotas de QS a quantidade de nitrogénio é menor.
(D) as bolotas de QR têm menor valor energético.
- Opção B
GRUPO II
Um grupo de alunos realizou uma atividade laboratorial relacionada com o funcionamento dos estomas. Foi usado o protocolo experimental seguinte.
Material:
- Pinça, bisturi, lâmina, lamela, conta-gotas, papel de filtro, microscópio ótico composto (MOC) com ocular 10× e com as objetivas 5×, 10× e 40×.
- Água destilada, solução saturada de cloreto de sódio.
- Folha de Tradescantia sp.
Procedimento:
1. Destacar um fragmento da epiderme da página inferior da folha de Tradescantia sp. com a ajuda de um bisturi e de uma pinça.
2. Montar o fragmento entre a lâmina e a lamela, usando como meio de montagem água destilada.
3. Observar a preparação ao MOC, na maior ampliação.
4. Aplicar na mesma preparação, usando um conta-gotas, três gotas de solução saturada de cloreto de sódio num dos bordos da lamela. Observar a preparação na mesma ampliação, enquanto se coloca no bordo oposto da lamela, uma tira de papel de filtro para obrigar a solução a deslocar-se sob a lamela.
A figura 2 apresenta os esquemas relativos às observações efetuadas (situações I e II).
Figura 2
1. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência de etapas, desde a colocação de uma preparação na platina até à sua observação, na ampliação 10×40.
A. Observar os estomas na objetiva de menor ampliação.
B. Aproximar a platina o mais possível da objetiva.
C. Focar a imagem com o parafuso macrométrico.
D. Rodar o revólver para a objetiva de 40× e ajustar a focagem.
E. Ajustar a focagem com o parafuso micrométrico numa ampliação de 100×.
- B, C, A, E, D
2. Na observação de uma preparação com o MOC utilizado nesta atividade laboratorial, verifica-se ____.
(A) que, quanto maior for a ampliação utilizada, maior será o campo de observação.
(B) que a imagem é simétrica e invertida em relação ao objeto observado.
(C) que, na ampliação 10×5, a objetiva usada amplia 10 vezes.
(D) que a luz fornecida pela fonte luminosa é dispersada pelo condensador.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção B
3. Explique, para uma das situações, I ou II, da Figura 2, de que modo a abertura ou o fecho dos estomas se relaciona com as características morfológicas da parede das células estomáticas e com a concentração do meio de montagem.
Na sua resposta, identifique a situação selecionada.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Explica de que modo a abertura ou o fecho dos estomas se relaciona com as características morfológicas da parede das células estomáticas (A) e com a concentração do meio de montagem, numa das situações (I ou II) (B).
- (A) As células estomáticas têm a parede que rodeia o ostíolo mais espessa do que a parede que está encostada às células vizinhas, o que lhes confere diferente elasticidade, permitindo abrir ou fechar o estoma.
- (B) Quando o meio de montagem é hipotónico (água destilada) – situação I –, a água entra e a célula fica túrgida (OU aumenta de volume), levando à abertura do estoma (OU do ostíolo).
OU
- Quando o meio de montagem é hipertónico (solução de cloreto de sódio) – situação II –, a água sai e a célula fica plasmolisada (OU diminui de volume), levando ao fecho do estoma (OU do ostíolo).
GRUPO III
A ilha de Creta é uma das regiões sismicamente mais ativas do Mediterrâneo Oriental. A sismicidade da ilha está relacionada com uma tectónica de subdução e é caracterizada por eventos crustais com profundidades inferiores a 25-30 Km. Muitos dos sismos ocorridos têm gerado tsunamis, cujas ondas chegaram rapidamente às zonas costeiras.
Em 2 de maio de 2020, ao longo da zona de subdução Helénica, ocorreu um sismo de magnitude 6,6, que foi sentido no sul da ilha de Creta e deu origem a um tsunami que, embora pequeno, foi observado na costa sul desta ilha. O sismo teve a sua origem a uma profundidade de 11,5 km, e o seu epicentro localizou-se a cerca de 100 km da costa sul da ilha.
A figura 3 representa o mapa da Bacia do Mediterrâneo Oriental (BMO), mostrando o epicentro de vários sismos tsunamigénicos.
O estudo da sismotectónica da região é importante, nomeadamente para prever o comportamento de eventuais tsunamis. Neste sentido, foi desenvolvida uma análise do sismo de 2 de maio de 2020, com o objetivo de estimar a extensão da falha que o originou. Para tal, foram utilizados registos dos períodos do tsunami (intervalos de tempo entre a passagem das cristas de duas ondas consecutivas, no mesmo local), obtidos em duas estações de medição de marés do Observatório Nacional de Atenas, a estação NOA 3 no porto de Kasos, a 180 Km do epicentro, e a estação NOA 4, no porto de lerapetra, na ilha de Creta, a 100 Km do epicentro. Verificou-se que o período dominante do tsunami registado em NOA 3 foi de 4,2 minutos e que os períodos dominantes registados em NOA 4 foram de 3,8 e de 4,7 minutos.
A figura 4 representa a estimativa da extensão da falha geradora do tsunami de 2 de maio de 2020, com base nos períodos registados nas duas estações e na profundidade da água.
Figura 3
Figura 4
Baseado em: M. Heidarzadeh e A. Gusman, Source modeling and spectral analysis of the Crete tsunami of 2nd May 2020along the Hellenic Subduction Zone, ofshore Greece>, Earth, Planets and Space, 73, 2021.
1. O contexto sismotectónico da região onde se localiza a ilha de Creta está representado na Figura 3. De acordo com a interpretação desta figura, verifica-se que ____.
(A) a área da Bacia do Mediterrâneo Oriental está a aumentar progressivamente.
(B) o sismo ocorrido no ano de 365, a SO de Creta, libertou menos energia do que o de maio de 2020.
(C) o bordo norte da placa Africana tem uma densidade superior à do bordo sul da placa Eurasiática.
(D) a placa Eurasiática mergulha sob a placa Africana, na Zona de subdução Helénica.
- Opção C
2. Selecione, de entre as afirmações relativas ao tsunami de 2 de maio de 2020, emCreta,as três afirmações corretas.
I. O período dominante mais baixo foi registado na estação de medição de maré NOA 3.
II. A costa norte de África foi atingida pelas ondas do tsunami.
III. A massa de água deslocada foi independente da profundidade do epicentro.
IV. A altura da onda relacionou-se com o rejeito da falha que originou o tsunami.
V. A magnitude do sismo influenciou a energia do tsunami.
- Afirmações corretas: II, IV e V.
3. Com base na análise do gráfico da Figura 4, estabelecido a partir dos períodos dominantes do tsunami, pode inferir-se ____.
(A) que, quanto maior for o período do tsunami, menor será a falha que deu origem ao sismo.
(B) que, para um epicentro localizado sob uma coluna de água de 2500 m, a falha terá extensão máxima de 25 km.
(C) que o tsunami está associado a uma falha com extensão entre 18 km e 27 km e epicentro sob uma coluna de água entre 2500 e 3500 m.
(D) que o período do tsunami vai diminuindo à medida que a profundidade da coluna de água vai aumentando.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção C
4. A análise de alterações de velocidade de propagação das ondas sísmicas profundas constitui um método ______ de estudo do interior da Terra, permitindo _____ .
(A) indireto … inferir que o núcleo externo e o núcleo interno apresentam a mesma composição
(B) indireto … estabelecer uma diferença de rigidez entre a litosfera e a astenosfera
(C) direto … determinar diferenças na composição das rochas que constituem a crosta e o manto
(D) direto … verificar que a rigidez dos materiais aumenta continuamente com a profundidade.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
- Opção B
4. Associe às expressões relativas às ondas sísmicas P e S, apresentadas na Coluna I, as características da Coluna II que lhes correspondem.
Cada um dos números deve ser associado apenas a uma letra, e todos os números devem ser utilizados.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
| Coluna I | Coluna II |
|
(A) Apenas as ondas P (B) Apenas as ondas S (C) As ondas P e as ondas S |
(1) Deformam os materiais em profundidade, com alteração do seu volume. (2) Diminuem a sua velocidade de propagação ao atravessarem a astenosfera. (3) Propagam-se em meios sólidos, líquidos e gasosos. (4) Não atravessam o núcleo externo. (5) Não atingem a superfície sob a forma de ondas diretas a uma distância angular entre 103 ºe 142º, relativamente ao epicentro. (6) Atravessam a descontinuidade de Gutenberg. (7) Provocam a vibração das partículas em profundidade, perpendicularmente à sua direção de propagação. |
6. Justifique, referindo os contextos tectónico e geográfico da ilha de Creta, a dificuldade da ação preventiva da proteção civil em caso de ocorrência de um sismo gerador de tsunami.
A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.
⇒ Justifica a dificuldade da ação preventiva da proteção civil em caso de ocorrência de um sismo gerador de tsunami, referindo o contexto tectónico da ilha de Creta (A) e o contexto geográfico da ilha (B).
- (A) A ilha de Creta situa-se na proximidade de uma zona de subdução onde ocorrem sismos geradores de tsunamis.
- (B) Devido à curta distância entre os epicentros e a costa da ilha, o tempo de chegada das ondas de tsunami é reduzido.













