Prova Escrita de Biologia e Geologia A – versão 1

Prova 702: 2.ª Fase2022


A prova inclui 20 itens, devidamente identificados no enunciado, cujas respostas contribuem obrigatoriamente para a classificação final.

Dos restantes 10 itens da prova, apenas contribuem para a classificação final os 5 itens cujas respostas obtenham melhor pontuação.

 

GRUPO I

→ Texto 1

O Banco de Gorringe (BG) é uma montanha submarina, localizada a SO do Cabo de S. Vicente, que se eleva desde os 5000 metros de profundidade até próximo da superfície do mar. Na zona existe um sistema de falhas ativas – composto pela falha do Banco de Gorringe, pela falha Marquês de Pombal e pela falha da Ferradura, entre outras – relacionado com a deformação resultante do movimento das placas Africana e Eurasiática, no Cenozoico, durante o Miocénico (23 a 5 milhões de anos – Ma). Na Figura 1A está representado um mapa simplificado da região, e na Figura 1B está representado o corte geológico (AB) assinalado no mapa. Litologicamente, o Banco de Gorringe é constituído por peridotitos serpentinizados, pois os minerais máficos dos peridotitos deram origem a minerais como a serpentina e o talco por um processo complexo – serpentinização – que envolve a ação de fluidos hidrotermais. Ocorrem também basaltos, formados há cerca de 148 Ma, arenitos e calcários com fósseis de foraminíferos (seres eucariontes, unicelulares, com concha), datados do Mesozoico. Todas estas formações geológicas estão cobertas por sedimentos não consolidados, depositados desde o Miocénico até à atualidade. Dados radiométricos indicam que a crosta que constitui o Banco de Gorringe se terá formado durante as primeiras etapas da abertura do Atlântico Norte. Outros dados de investigação, como a deformação de sedimentos recentes e a sismicidade de elevada magnitude ocorrida a SO do Cabo de S. Vicente – sismos de 1755 e de 1969, entre outros –, sugerem que esteja em formação uma zona de subdução, numa fase ainda incipiente, na margem sudoeste ibérica.

Figura 1

Baseado em: J. Duarte et al., «Are subduction zones invading the Atlantic? Evidence from the southwest Iberia margin», in Geology, 2013;e em: J. Girardeau et al., «Preliminary results of Nautile dives on the Gorringe Bank (West Portugal)», Earth & Planetary Sciences, 1998. 1B

1. Selecione, de entre as afirmações relativas aos dados fornecidos sobre o Banco de Gorringe, as duas afirmações corretas. 

I. Os sedimentos depositados durante o Cenozoico sofreram diagénese.

II. Nos calcários do Mesozoico, fossilizaram organismos do reino Protista.

III. Os sedimentos do Cenozoico estão cobertos por escoadas de basalto.

IV. Nos arenitos do Mesozoico, foram identificados fósseis de animais.

V. Os foraminíferos possuem células com mitocôndrias.

Resolução

 ⇒ II –   Nos calcários do Mesozoico, fossilizaram organismos do reino Protista    V –   Os foraminíferos possuem células com mitocôndrias.

2. No Banco de Gorringe, existem lavas basálticas em almofada. A consolidação destas lavas ocorreu _____.

(A) durante episódios de vulcanismo explosivo.

(B) como resultado de vulcanismo numa zona de subdução.

(C) durante episódios de vulcanismo submarino.

(D) como resultado de vulcanismo numa falha transformante

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção C

3. A serpentinização dos peridotitos permite deduzir que estas rochas foram sujeitas a processos de ____.

(A) metamorfismo, por ação de água a elevadas temperaturas.

(B) meteorização química na zona superficial, por ação da água do mar.

(C) erosão dos cristais de olivina, por ação das correntes marinhas.

(D) meteorização física, por ação do atrito nas zonas de falha.

Resolução

  • Opção A

4. De acordo com os movimentos relativos dos blocos rochosos, a falha do Banco de Gorringe e a falha da Ferradura, representadas na Figura 1B, são classificadas como _____.

(A) falhas normais.

(B) falhas inversas.

(C) uma falha inversa e uma falha normal, respetivamente.

(D) uma falha normal e uma falha inversa, respetivamente.

Resolução

  • Opção B

5. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência correta dos acontecimentos relacionados com a abertura do Atlântico Norte e com a evolução da zona do Banco de Gorringe.

A. Deposição de sedimentos cenozoicos.

B. Deformação da Pangeia, em regime frágil.

C. Início da formação da crosta oceânica atlântica.

D. Sedimentação de carbonatos com fósseis de foraminíferos.

E.   Formação da falha da Ferradura.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • B, C, D, A, E

6. De acordo com os dados, o talco, mineral que é riscado pela unha, forma-se a partir de ____.

(A) silicatos ricos em ferro e possui dureza intermédia.

(B) silicatos ricos em potássio e possui baixa dureza.

(C) silicatos ricos em cálcio e possui dureza intermédia.

(D) silicatos ricos em magnésio e possui baixa dureza.

Resolução

  • Opção D

7. De entre as rochas seguintes, as que apresentam a menor percentagem de sílica são _____.

(A) os basaltos, rochas magmáticas plutónicas.

(B) os peridotitos, rochas magmáticas vulcânicas.

(C) os peridotitos, rochas com origem no manto.

(D) os basaltos, rochas que formam a crosta oceânica.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção C

8. A região a SO do Cabo de S. Vicente apresenta grande potencial para a génese de sismos de elevada magnitude, como os de 1755 e de 1969. Justifique a génese de sismos de elevada magnitude na região, fazendo referência ao contexto tectónico.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

Justifica a elevada magnitude dos sismos na região, relacionando o contexto tectónico com a acumulação de elevadas tensões (A) e com a libertação de grandes quantidades de energia (B).

  • (A) Na região, há acumulação de elevadas tensões por ser uma zona com tectónica convergente (OU de subdução incipiente OU devido à existência de um sistema de falhas ativas).
  • (B) Quando o limite de resistência/elasticidade das rochas é ultrapassado, libertam-se grandes quantidades de energia, originando sismos de elevada magnitude.

→ Texto 2

Os dois picos mais elevados do Banco de Gorringe, Ormonde e Gettysburg, foram ilhas durante a glaciação Würm (100 000 a 10 000 anos). Na atualidade, estão, respetivamente, a 48 e a 28 metros de profundidade, na zona fótica (zona até onde chega a luz).

Os montes submarinos constituem um obstáculo à circulação das correntes submarinas, provocando a subida de águas profundas, ricas em nitratos e fosfatos, importantes para o crescimento do fitoplâncton.

No Banco de Gorringe, um local com elevada produtividade primária para um contexto oceânico, existe um ecossistema único, onde se registam 862 espécies.

Pensa-se que os montes submarinos que mais se aproximam da superfície, ao proporcionarem pontos de passagem nas rotas de migração de espécies, facilitam a sua dispersão nos oceanos.

O facto de espécies das faunas mediterrânica e africana terem colonizado os arquipélagos da Macaronésia – Canárias, Madeira e Açores – deve-se, pelo menos em parte, à existência do Banco de Gorringe e a eventos paleoclimáticos que provocaram variações paleogeográficas.

Uma das muitas missões científicas ao Banco de Gorringe, a LusoExpedição (2006), recolheu diversas amostras biológicas de peixes e de invertebrados marinhos. Em laboratório, estas amostras foram sujeitas a extração de DNA mitocondrial, herdado apenas da progenitora, com o intuito de determinar semelhanças e diferenças entre os indivíduos aí recolhidos e indivíduos recolhidos noutras áreas geográficas, nomeadamente na costa mediterrânica, na costa africana e nos arquipélagos da Macaronésia.

Os resultados obtidos permitem inferir relações filogenéticas e, cruzando-os com dados paleontológicos, pode ser estimado um relógio molecular para um determinado grupo de espécies.

Baseado em: M. S. A. Correia, «Avaliação da importância, potencial e constrangimentos da designação do Banco Gorringe como Sítio de Interesse Comunitário», Dissertação de Mestrado em Ecologia Marinha, Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Departamento de Biologia Animal, 2013; e em: http://eventos.ulusofona.pt/lusoexpedicao (consultado em setembro de 2020).

9. Podemos inferir que, durante a glaciação Würm, o nível médio das águas do oceano Atlântico terá estado _____.

(A) abaixo do nível atual, pelo menos 48 metros, facilitando a migração de algumas espécies.

(B) acima do nível atual, pelo menos 28 metros, enquanto os glaciares se desenvolviam.

(C) abaixo do nível atual, pelo menos 48 metros, acompanhando uma fase de degelo.

(D) acima do nível atual, pelo menos 28 metros, dificultando a migração de algumas espécies.

Resolução

  • Opção A
 

10. Explique, com base nos dados (Figura 1, da página 2, e Texto 2), de que modo a formação do Banco de Gorringe proporcionou as condições que levaram à enorme biodiversidade desta zona.

Na sua resposta, comece por identificar a deformação que deu origem ao Banco de Gorringe.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

Explica a formação do Banco de Gorringe, identificando a deformação que lhe deu origem (A), e refere o facto de nesta região existirem condições para o crescimento de seres fotossintéticos (B), que garantem a existência de uma enorme biodiversidade (C).

  • (A) A existência de uma falha (inversa) elevou as rochas do fundo oceânico (OU permitiu a formação do Banco de Gorringe).
  • (B)  O Banco de Gorringe situa-se parcialmente na zona fótica e recebe águas profundas, ricas em nitratos e fosfatos, condições adequadas ao crescimento de seres fotossintéticos (OU do fitoplâncton).
  • (C)  Os seres fotossintéticos, alimento de numerosas espécies marinhas, garantem a instalação de ecossistemas com enorme biodiversidade.

11. A escolha do DNA mitocondrial deveu-se ao facto de, na mitocôndria, a informação filogenética estar mais conservada, pois ____.

(A) a recombinação génica é inexistente.

(B) o DNA existe em quantidade muito reduzida.

(C) o DNA está protegido por uma dupla membrana.

(D) a transcrição ocorre na matriz mitocondrial.

Resolução

  • Opção A

12. A Figura 2 representa um exemplo de uma árvore filogenética.

Figura 2

12.1. Na árvore filogenética representada na Figura 2, as bifurcações significam que ____.

(A) membros de duas espécies diferentes se podem cruzar livremente na natureza.

(B) é sempre possível a existência de uma convergência num grupo filogenético.

(C) se verificam fenómenos de convergência e de divergência ao longo da evolução.

(D) espécies com características diferentes partilham planos anatómicos semelhantes.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção D
     

12.2. Selecione, de entre as afirmações relativas à análise da árvore filogenética da Figura 2, as duas afirmações corretas.

I. Há maior grau de parentesco entre os seres F e G do que entre os seres G e H.

II. As espécies C e E divergiram há mais tempo do que as espécies A e B.

III. O ancestral comum às espécies A, B, C, D e E é mais recente do que o ancestral comum às espécies C, D e E.

IV. A espécie I apresenta maior número de diferenças em relação às outras espécies do que estas apresentam entre si.

V. As espécies que acumularam maior número de mutações em relação ao ancestral comum foram as espécies A e B.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • II. As espécies C e E divergiram há mais tempo do que as espécies A e B.
  • IV. A espécie I apresenta maior número de diferenças em relação às outras espécies do que estas apresentam entre si.

13. Ordene as expressões identificadas pelas letras de A a E, de modo a reconstituir a sequência cronológica dos acontecimentos relacionados com a produção de biomassa pelo fitoplâncton e com a sua posterior utilização na obtenção de energia.

A. Redução de CO2 para formar compostos orgânicos.

B. Produção de H2O e de CO2.

C. Oxidação da molécula de H2O.

D. Formação de moléculas de ácido pirúvico.

E. Fosforilação da glucose.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • C, A, E, D, B

14. A produção de moléculas de ATP em vias metabólicas de baixo rendimento energético requer _____.

(A) a degradação da glucose em condições aeróbias.

(B) a produção de lactato, na mitocôndria.

(C) a ocorrência do ciclo de Krebs.

(D) a intervenção de transportadores de eletrões.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção D

15. Complete o texto seguinte com a opção adequada a cada espaço. A cada letra corresponde um só número.

Nos picos do Banco de Gorringe, existem recifes de corais. Estes animais, semelhantes às hidras, são seres a) ______ que b) _____e que possuem digestão c) ______. Os fósseis de corais estão associados a d) ______ formados em paleoambientes e)______ .

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • a)  1;
  • b)  1;
  • c) 3;
  • d)  3;
  • e) 2.

16. O Banco de Gorringe contribuiu para que algumas espécies de aves da costa mediterrânica e da costa africana atingissem os arquipélagos da Macaronésia.

Explique de que modo esta hipótese pode ser apoiada pelos contextos paleoclimático e paleogeográfico, referidos no Texto 2, e por estudos de DNA de espécies dos arquipélagos e de espécies dos continentes.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

Explica que a hipótese pode ser apoiada pelos contextos paleoclimático e paleogeográfico do Banco de Gorringe (a), o qual serviu de ponto de passagem de aves (B), e pelos estudos do DNA de espécies existentes nas ilhas dos arquipélagos da Macaronésia e de espécies existentes nos continentes (C).

  • (A)  Durante a glaciação Würm, os picos de Ormonde e de Gettysburg ficaram a descoberto (OU formaram ilhas).
  • (B)  Os picos do Banco de Gorringe terão servido de ponto de passagem de aves dos continentes para as ilhas dos arquipélagos da Macaronésia.
  • (C) A semelhança entre o DNA de espécies que habitam nos continentes e o DNA de espécies existentes nas ilhas dos arquipélagos da Macaronésia permite evidenciar a existência de ancestrais comuns.

→ Texto 3

Os recifes de corais têm vindo a declinar nas últimas décadas, devido a impactos ambientais locais e regionais. A doença da banda branca – WBD (white band disease) – tem contribuído para a redução dramática das populações de Acropora cervicornis e de Acropora palmata desde 1970, estando estas duas espécies de corais na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Os corais estabelecem relações simbióticas com algas e com bactérias. No entanto, estudos recentes indicam que a doença pode ser causada por algumas bactérias. Para testar esta hipótese, foi efetuado em A. cervicornis o estudo experimental seguinte:

  • Colocaram-se «ramos» de corais saudáveis (ND) e «ramos» de corais com doença (WBD) em cinco aquários, contendo igual volume de água do mar extraída do local de proveniência desses corais.

  • Mantiveram-se os corais nos aquários por um período de 24 horas antes do início da experiência, para aclimatação e para posterior monitorização da progressão das lesões.

  • Adicionaram-se a três dos aquários três antibióticos diferentes, a cada 12 horas, em dosagens iguais.

  • Os três antibióticos utilizados foram previamente testados em bactérias e em corais saudáveis, administrando-se uma dosagem já estabelecida.

  • Fizeram-se avaliações do efeito da aplicação dos antibióticos 2 vezes por dia, às 10 horas e às 16 horas, durante os 6 dias da experiência.

    O Quadro I apresenta as condições experimentais existentes em cada aquário.

Os resultados estão expressos na Figura 3, onde a progressão da doença está evidenciada pela extensão da mancha branca, e no Gráfico I, que apresenta a quantidade total de bactérias (nocivas e não nocivas) detetadas nos cinco grupos de corais, no final da experiência.

Baseado em: M. J. Sweet, A. Croquer e J. C. Bythell, «Experimental antibiotic treatment identifies potential pathogens of white band disease in the endangered Caribbean coral Acropora cervicornis», Royal Society Publishing, 2014.

17. A testagem dos antibióticos nos corais saudáveis, antes da realização do estudo, teve como objetivo ____.

(A) assegurar a existência de corais saudáveis para o estudo.

(B) verificar se os antibióticos têm efeitos adversos nos corais.

(C) estimar a dosagem adequada a utilizar nos tratamentos.

(D) impedir o crescimento das algas simbiontes.

Resolução

  • Opção B

18. Os dispositivos de controlo foram os aquários _____.

(A)  3 e 4.

(B)  1 e 2.

(C)  2 e 4.

(D)  1 e 3.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção B

19. Uma variável dependente neste estudo foi ____.

(A) a hora a que é avaliado o efeito do antibiótico.

(B) o número de corais utilizados em cada tratamento.

(C) a quantidade de bactérias, no final, por amostra.

(D) o número de aplicações de antibiótico por coral.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção C

20. Justifique, com base nos resultados do estudo, a vantagem da utilização do antibiótico ampicilina (amp) em vez do antibiótico paromomicina (para) no tratamento da WBD.

Na sua resposta, deverá utilizar os dados da Figura 3 e os dados do Gráfico I.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

Justifica a vantagem da utilização do antibiótico ampicilina em vez do antibiótico paromomicina no tratamento da WBD, referindo os resultados do tratamento com cada um dos antibióticos (a1 + B1) OU comparando os efeitos dos dois antibióticos quanto à progressão da doença e quanto à quantidade de bactérias (a2 + B2), e concluindo sobre a vantagem da utilização da ampicilina (C).

  • (A1) Nos corais tratados com ampicilina, não se verificou progressão da WBD e, comparativamente com os corais saudáveis (ND), registou-se um número de bactérias/cm3 semelhante.
  • (B1) Nos corais tratados com paromomicina, não se verificou progressão da WBD e, comparativamente com os corais saudáveis (ND), registou-se um número de bactérias/cm3 inferior.

OU

  • (A2) Nos corais tratados com ampicilina e nos corais tratados com paromomicina, não se verificou progressão da doença (Figura 3).
  • (B2) Verifica-se que a quantidade de bactérias nos corais saudáveis é semelhante à quantidade de bactérias nos corais tratados com ampicilina, mas superior à quantidade de bactérias existente nos corais tratados com paromomicina (Gráfico I).
  • (C) A utilização da ampicilina é vantajosa, uma vez que, possivelmente, não elimina bactérias simbiontes (OU apenas elimina bactérias nocivas).
    OU
    A utilização da paromomicina não é vantajosa, uma vez que, possivelmente, elimina também bactérias simbiontes (OU não elimina apenas bactérias nocivas).

GRUPO II

Numa aula de Biologia e Geologia, realizou-se uma atividade com o objetivo de compreender os fenómenos de transporte através das membranas.

1.a fase da experiência:

Colocaram-se três ovos, durante três dias, em solução de vinagre (ácido acético). Retiraram-se os ovos da solução de vinagre, limparam-se e pesaram-se.

2.a fase da experiência:

Colocou-se cada um dos ovos num gobelé (1, 2 e 3), durante 60 minutos, nas condições seguintes:

Gobelé 1 – com 100 mL de água destilada;
Gobelé 2 – com 100 mL de solução de azul de metileno (corante);
Gobelé 3 – com 100 mL de solução de sacarose a 30% (m/V) – concentração superior à do meio intracelular.

Ao fim dos 60 minutos, retiraram-se os ovos dos gobelés, limparam-se e pesaram-se.

3.a fase da experiência:

Colocou-se o ovo do gobelé 1, durante mais 60 minutos, noutro gobelé (4), com 100 mL de solução de sacarose a 30% (m/V).
Colocaram-se os ovos dos gobelés 2 e 3, respetivamente, nos gobelés 5 e 6, cada um com 100 mL de água destilada, durante 60 minutos.

Pesaram-se os ovos colocados nos gobelés 4, 5 e 6.

Nota – A casca do ovo é constituída por carbonato de cálcio.

1. O objetivo da utilização do vinagre na experiência foi ____.

(A) permitir as trocas gasosas entre o ovo e o meio.

(B) proteger o ovo de contaminações por microrganismos.

(C) promover a dissolução da casca do ovo.

(D) diminuir a concentração de iões H+ no meio.

Resolução

  • Opção C

2. Na terceira fase da experiência, quando se colocou o ovo do gobelé 2 em água destilada, a água _____.

(A) ficou azulada, devido à ocorrência de osmose.

(B) ficou azulada, devido à ocorrência de difusão.

(C) manteve-se incolor, devido à ocorrência de difusão facilitada.

(D) manteve-se incolor, devido à ocorrência de transporte ativo.

Resolução

  • Opção B

3. Preveja e explique a variação da massa do ovo, inicialmente colocado no gobelé 1, durante as 2.a e 3.a fases da experiência.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

⇒  Prevê e explica a variação da massa do ovo, durante a 2.a fase da experiência (a), e a variação da massa do ovo, durante a 3.a fase da experiência (B).

  • (A) O ovo é colocado em água destilada, que é um meio hipotónico, logo, a água entra no ovo, pelo que a massa deste aumenta. OU
  • Quando o ovo é colocado em água destilada, a água entra no ovo por osmose, pelo que a massa deste aumenta.
  • (B) O ovo é colocado numa solução de sacarose, que é um meio hipertónico, logo,a água sai do ovo,pelo que a massa deste diminui. OU
  • Quando o ovo é colocado numa solução de sacarose, a água sai do ovo por osmose, pelo que a massa deste diminui.

GRUPO III

A serra de S. Mamede, localizada na região de Portalegre, é o principal conjunto montanhoso do Alto Alentejo, elevando-se até à altitude de 1025 metros.

Esta serra resultou de um conjunto de processos de deformação e de erosão, que conduziram ao aparecimento de cristas quartzíticas que se destacam na área envolvente e se estendem na direção NO-SE, desde Castelo de Vide até à fronteira com Espanha, atingindo cerca de 40 quilómetros de comprimento. Nos quartzitos, foram identificadas pistas de locomoção de trilobites. Entre as cristas quartzíticas afloram xistos do Silúrico e do Devónico.

A crista quartzítica de Marvão está incluída no Inventário de Geossítios de relevância nacional.

A Figura 4 representa esquematicamente um corte geológico de direção SO-NE na região de Marvão.

1. O corte da serra de S. Mamede, representado na Figura 4, apresenta uma estrutura que, de acordo com a forma e com a idade relativa dos estratos, pode ser classificada como _____.

(A) antiforma, uma vez que o núcleo é formado por rochas mais antigas.

(B) anticlinal, uma vez que o núcleo é formado por rochas mais recentes.

(C) sinforma, uma vez que o núcleo é formado por rochas mais antigas.

(D) sinclinal, uma vez que o núcleo é formado por rochas mais recentes.

Resolução

  • Opção D
     

2. Os quartzitos que deram origem às cristas na serra de S. Mamede são rochas com textura ______.

(A) não foliada e resultaram do metamorfismo de arenitos.

(B) foliada e estão associados a tensões não litostáticas.

(C) foliada e apresentam um comportamento frágil.

(D) não foliada e contêm baixa percentagem de sílica.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção A

3. Os granitos são rochas formadas ____.

(A) por associações mineralógicas que incluem feldspatos potássicos.

(B) a partir de magmas que arrefecem muito rapidamente.

(C) a partir de magmas com elevada percentagem de ferro.

(D) por elevada percentagem de minerais da série descontínua de Bowen.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • Opção A

4. Selecione, de entre as afirmações relativas às rochas e aos fósseis identificados na região da serra de S. Mamede, as duas afirmações corretas.

I. As pistas de locomoção das trilobites, identificadas nos quartzitos, indiciam que o habitat destes organismos era um mar pouco profundo.

II. De acordo com o princípio do atualismo, as trilobites deveriam possuir células eucarióticas com parede celular.

III. Uma determinada espécie de trilobites pode ser considerada fóssil de idade se apresentar pequena distribuição estratigráfica e ampla distribuição geográfica.

IV. As rochas plutónicas da Figura 4 são melanocráticas devido à abundância relativa de minerais félsicos na sua composição.

V. Os xistos do Silúrico que afloram na serra de S. Mamede indiciam a existência de ambientes de sedimentação com elevado hidrodinamismo.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • I. As pistas de locomoção das trilobites, identificadas nos quartzitos, indiciam que o habitat destes organismos era um mar pouco profundo.
  • III. Uma determinada espécie de trilobites pode ser considerada fóssil de idade se apresentar pequena distribuição estratigráfica e ampla distribuição geográfica.

4. Associe aos tipos de metamorfismo, apresentados na Coluna I, as características da Coluna II que lhes correspondem.

Cada um dos números deve ser associado apenas a uma letra, e todos os números devem ser utilizados.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

  • (a) (1) (3);
  • (b) (4), (5), (7);
  • (c) (2), (6).

6. Explique a formação das cristas quartzíticas da serra de S. Mamede, considerando a evolução geodinâmica da região e a litologia daqueles relevos.

Na sua resposta, deve fazer referência à génese dos quartzitos.

A pontuação obtida na resposta contribui obrigatoriamente para a classificação final da prova.

Resolução

Explica que, na região, se formaram quartzitos (a) e que houve deformação das rochas (B), que sofreram erosão diferencial, formando as cristas (C).

  • (A) Na região, ocorreu metamorfismo que levou à formação de quartzitos.
  • (B)  Na região, ocorreram tensões compressivas com formação de dobras.
  • (C)  Os quartzitos apresentam maior resistência à meteorização/erosão do que as rochas envolventes, pelo que ficaram em relevo, formando as cristas.
    OU
    Por erosão diferencial, os quartzitos formaram relevos.

FIM

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