Principais etapas de formação das rochas sedimentares.

Tipos de rochas sedimentares


 

  • O planeta Terra é um planeta geologicamente ativo, apresentando atividade geológica interna e externa.
  • A atividade geológica interna está associada ao calor interno da Terra, resultante do decaimento radioativo, bombardeamento primitivo e compressão gravítica.
  • A atividade geológica externa está associada à energia solar, que acciona o ciclo da água, principal fator de alteração das rochas superficiais.
  • Como consequência da atividade geológica formam-se continuamente rochas – Ciclo das rochas.
  • Tendo por base a sua origem, as rochas classificam-se em magmáticas, sedimentares e metamórficas.

 

  • As rochas sedimentares são as mais abundantes na superfície terrestre, formando uma fina película que cobre toda a crusta.

 

Etapas de formação das rochas sedimentares

 

  • As rochas sedimentares formam-se na superfície terrestre a partir de outras rochas pré-existentes por ação dos agentes de meteorização e erosão.
  • A formação das rochas sedimentares envolve a sedimentogénese  e diagénese.
  • A sedimentogénese inclui as etapas de meteorização, erosão, transporte e deposição.
  • A diagénese inclui a compactação, a desidratação e a cimentação.
 
Meteorização
  • A  meteorização consiste na alteração das rochas pré-existentes e pode ser física ou química.
  • A meteorização física ou mecânica consiste na fragmentação da rocha.
  • A meteorização química consiste na alteração da composição química e/ou mineralógica da rocha.
 
Meteorização física
  • São vários os agentes de meteorização física das rochas, nomeadamente:

Figura – Meteorização física ( fonte: https://www.bgs.ac.uk/discovering-geology/geological-processes/weathering/)

 
 
Água
  • A água constitui um dos principais agentes de alteração das rochas.
  • A variação da humidade atmosférica provoca variações no teor de água das rochas.
  • Quando a humidade atmosférica é elevada a rocha incorpora água e sofre dilatação, quando a humidade atmosférica é baixa a rocha perde água e sofre contração.
  • Estes ciclos alternados de dilatações e contrações fragilizam a estrutura da rocha conduzindo à sua fragmentação.

 

Gelo – Crioclastia 

 

  • A água que se acumula nas fraturas das rochas (diáclases) quando sujeita a baixas temperaturas pode congelar.
  •  Ao congelar aumenta de volume exercendo tensões que conduzem à fraturação da rocha.
  • Quanto maior o número de diáclases mais rápida é a fragmentação da rocha.

 

Crescimento de minerais – Haloclastia 
  • A água que preenche as fraturas das rochas sob determinadas condições pode evaporar, e os sais que nela se encontram dissolvidos precipitam.
  • A precipitação e o crescimento desses minerais exercem tensões que conduzem à fraturação da rocha.
 
 
Temperatura

 

  • As variações de temperatura causam variações no volume dos corpos, originando ciclos alternados de contrações e dilatações.
  • As contrações e dilatações cíclicas fragiliza a estrutura das rochas conduzindo à sua fraturação.
  • O efeito da temperatura é especialmente notório em regiões com grandes amplitudes térmicas diárias (ex. desertos).

 

 
Seres vivos 

  • Os seres vivos constituem importantes agentes de alteração das rochas.
  • As raízes das plantas ao crescerem exercem tensões que conduzem à fraturação das rochas.
  • Muitos animais escavam tocas e galerias aumentando o grau de desagregação das rochas.

 

 

 

 

 
Alívio da pressão- Esfoliação

  • As rochas que se localizam em níveis crustais mais profundos estão sujeitas ao peso exercido pelas camadas suprajacentes.
  • Quando essas rochas afloram, ocorre um alívio da pressão, as rochas expandem-se e fraturam.
  • A ação simultânea do alívio da pressão conduz ao aparecimento de camadas concêntricas na rocha – disjunção esferoidal.

 

 

 

Meteorização química

  • Os minerais que entram na constituição das rochas formam-se em condições específicas de pressão e temperatura, assim, quando na superfície terrestre ficam sujeitos a condições de pressão e temperatura diferentes daquelas em que se formam tornam-se instáveis e sofrem alterações químicas e mineralógicas originando novos minerais mais estáveis nas novas condições.
  • A meteorização química envolve uma série de reações químicas, sendo por isso favorecidas pelo aumento da temperatura.
  • Todas as reações de meteorização química envolvem a água, logo a meteorização química ocorre, quase exclusivamente, em regiões quentes e húmidas.
  • As reações de meteorização química envolvem reações de dissolução, hidrólise, hidratação/desidratação e oxidação-redução.

 

Dissolução

 

  • A dissolução consiste na reação do mineral com a água ou com um ácido.
  • Numa reação de dissolução a água ou o ácido provoca a quebra das  ligações entre os iões no mineral.
  • Entre os exemplos mais comuns encontram-se a dissolução do cloreto de sódio e disssolução do calcário.

 

 

Dissolução do cloreto de sódio

  • O sal de cozinha é constituído por cloreto de sódio, a adição de água ao cloreto de sódio conduz à quebra da ligação entre o sódio e o cloro, que assim ficam livres em solução.

 

 

 

 

Dissolução do carbonato de cálcio

  • O calcário é uma rocha sedimentar constituída pelo mineral calcite.
  • Na natureza é muito difícil encontrar calcário puro  assim, para além de calcite o calcário contém impurezas.
  • Como resultado das atividades humanas e da atividade geológica (atividade vulcânica) são lançados para atmosefera gases, o dióxido de enxofre e dióxido de carbono.
  • Na atmosfera estes gases reagem com a água formando compostos ácidos que estão na origem das chuvas ácidas.
  • Quando chuvas ácidas entram em contacto com o calcário provocam a sua meteorização química por dissolução, denominada de carbonatação.

  • Nesta reação, o ácido carbónico (H2CO3) reage com a calcite (CaCO3) e origina o ião Ca2+ e HCO3.
  • Como os iões Ca2+ e HCO3 são solúveis são removidos em solução pelas águas de infiltração.
  • No local permanecem  as impurezas que constituem  depósitos de cor avermelhada, denominados de Terra rossa.

CaCO3 + H2CO3→ Ca2+ + 2 (HCO3)

  • Nas regiões calcárias é muito comum a existência de paisagens características denominadas de modelado cársico, resultante quer de fenómenos de dissolução do cálcio quer da sua precipitação.

Figura – Alteração do calcário. As fraturas representadas com linhas brancas tracejadas e os planos de camada representados com linhas pretas contínuas, facilitam a penetração da água. Note que os planos de camada estão quase completamente obliterados devido à alteração. Desta, resultam fragmentos de calcário e argila de cor vermelha (terra rossa). Na alteração deste afloramento, concorreram ambas as formas de meteorização: química (dissolução) e física (fraturação). (fonte: Uma História com muitos milhões de anos Do Oceano Tethys ao Barrocal do Algarve. Delminda Moura / Sónia Oliveira)

 

Hidrólise
  • Na reação de meteorização química por hidrólise,  ocorre a reação do mineral com a água ou com um ácido, ocorrendo a substituição de um dos catiões do mineral por iões H+ provenientes da água ou do ácido.
  • Um dos exemplos mais conhecidos é o da hidrólise do feldspato potássio, denominada de caulinização.

 

 

Caulinização do feldspato potássico

  • O feldspato potássico é um mineral constituinte de muitas rochas, nomeadamente o granito.

  • Quando águas acidificadas entram em contacto com o feldspato potásssico ocorre a hidrólise do feldspato.
  • Nesta reação os iões K+ do feldapato são substituídos pelos iões H+ provenientes das águas acidificadas.
  • Consequentemente ocorre uma alteração da composição química do mineral originando um mineral novo (mineral de neoformação) – a caulinite (minerais de argila).
 
 
Oxidação- Redução
  • As reações de meteorização química por oxidação-redução envolvem a transferência de eletrões.
  • Quem perde eletrões sofre oxidação, quem ganha eletrões sofre redução.
  • A meteorização química por oxidação-redução é muito comum nos minerais ferromagnesianos (olivina, piroxena, anfíbola e biotite).
  • Na superfície terrestre quando estes minerais entram em contacto com a água origina sílica e o ião ferroso.
  • O ião ferroso (Fe 2+) ao entrar em contacto com o oxigénio sofre oxidação e origina o ião férrico (Fe3+).
  • O ião férrico reage com a água e origina óxidos de ferro, que constituem um novo mineral – a hematite (Fe2O3).

 

Hidratação-Desidratação
  • A hidratação  ocorre quando um mineral incorpora água na sua composição.
  • Um exemplo de hidratação ocorre quando a hematite reage com a água e forma a limonite.
  • A desidratação ocorre quando um mineral perde água.
  • Quando o gesso sofre desidratação origina a anidrite.
 
 
 
2. Erosão
  • A erosão consiste na remoção (separação) dos sedimentos resultantes da meteorização.
  • Ocorre por ação dos agentes erosivos, principalmente a água e o vento.
  • A atuação dos agentes erosivos conduz à formação de estruturas peculiares, como as chaminés-de-fada e os blocos pedunculados.
 
 
3. Transporte
  • Os sedimentos resultantes da meteorização e erosão são transportados pela água, pelo vento e até mesmo pela força gravítica.

 

  • A capacidade de transporte do agente transportador depende da sua energia.
  • Agentes transportadores de elevada energia, como um rio de montanha, um glaciar ou uma praia de forte ondulação apresentam a capacidade de transportar sedimentos de grandes dimensões.
  • Quando os sedimentos apresentam dimensões reduzidas facilmente se mantêm em transporte.

  • Os sedimentos transportados por um rio podem deslocar-se por rolamento ou arrastamento quando apresentam grandes dimensões, por saltação os de dimensões intermédias e em suspensão, os de reduzida granulometria.
 
4. Sedimentação
  • A sedimentação ocorre quando a energia do agente transportador se anula ou é muito reduzida.
  • Os sedimentos podem depositar-se nos mais diversificados ambientes, como lagos, rios, praias, deltas, etc. No entanto, as principais bacias de sedimentação localizam-se em ambiente marinho.

  • Nas bacias de sedimentação os sedimentos depositam-se formando camadas mais ou menos horizontais, os estratos.
  • Os sedimentos de elevada granulometria  facilmente se depositam, já os de reduzida granulometria apenas se depositam em ambientes de baixo hidrodinamismo, como lagos e planícies de inundação fluvial.
  • O diagrama de Huljstrom relaciona a velocidade da corrente necessária para que partículas de diferente granulometria sofram erosão, transporte  ou sedimentação.
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5. Diagénese
  • Nas bacias de sedimentação, devido ao peso das camadas suprajacentes, os sedimentos das camadas inferiores vão sofrendo compactação com diminuição progressiva da progressiva da porosidade.
  • Com o afundamento progressivo a água que ocupava os espaços livres entre os sedimentos é eliminada – desidratação – e as substâncias dissolvidas preciptam formando um cimento – cimentação.

 

Classificação das rochas sedimentares

 

A classificação das rochas sedimentares tem por base a origem dos sedimentos que entram na sua constituição. Assim são classificadas em:

 

1. ROCHAS SEDIMENTARES DETRÍTICAS

  • A  classificação das rochas sedimentares detríticas  tem por base a granulometria dos sedimentos (clastos) e o facto destes terem sofrido ou não processos de diagénese.
  • O estudo das rochas sedimentares detríticas fornece importantes informações acerca da rocha mãe dos sedimentos.

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  • Não consolidadas, também chamadas de móveis ou desagregadas : resultam de processos de sedimentogénese não seguidos de diagénese. Incluem os balastros, as areias, os siltes e as argilas (ordem decrescente de tamanho).
  • Consolidadas ou coerentes:  resultam de processos de sedimentogénese seguidos de diagénese. Incluem os conglomerados (diagénese de balastros), as brechas (diagénese de balastros), arenitos (diagénese de areias), argilitos (diagénese de argilas) e siltitos (diagénese de siltes).

Nota:

– Os conglomerados e as brechas resultam da diagénese de balastros, no entanto os balastros que entram na constituição dos conglomerados são arredondados e os que entram na constituição das brechas são angulosos.

 

A – Conglomerado                                                                                   B – Brecha

 

 

– Os arenitos, arcoses ou grauvaques resultam da diagénese das areias.

– Os argilitos resultam da diagénese incompleta das argilas, pois não ocorre a fase de cimentação.

 

 
2. ROCHAS SEDIMENTARES QUIMIOGÉNICAS

 

As rochas sedimentares quimiogénicas resultam da evaporação da água e/ou precipitação das substâncias em solução.  A sua formação requer condições ambientais  muito específicas, assim o estudo destas rochas permite determinar as condições ambientais associadas à sua formação.

 

A  formação  das rochas sedimentares quimiogénicas ocorre, geralmente:

  • em regiões áridas, onde as elevadas temperaturas potenciam uma intensa evaporação.
  • em bacias oceânicas onde a concentração de sais é muito elevada.

 

Figura – Chaminés de Fada em rochas calcárias

 

Figura – Depósitos de halite

 

A precipitação das substâncias dissolvidas na água ocorre de acordo com o seu grau de solubilidade, de tal modo que primeiro precipitam as mais insolúveis e só em última instância precipitam as mais solúveis.

 

Ordem de precipitação:

  • carbonato de cálcio ⇒ calcite ⇒ calcário travertino
  •  carbonato  de cálcio e magnésio⇒ dolomite
  • Sulfato de cálcio ⇒ Gipsite ⇒ Gesso
  • Cloreto de sódio ⇒ Halite⇒ Sal-gema

 

 

Paisagens calcárias – o Modelado cársico

 

 

 

  • As paisagens calcárias constituem relevos denominados de modelado cársico.
  • Neste tipo de relevo são comuns os campos de lapiás, as dolinas, os algares, e em profundidade observam-se grutas com estalactites, estalagmites, colunas e rios subterrâneos.
  • Os campos de lapiás,  as dolinas, os algares  e as grutas resultam de processos de dissolução (meteorização química)  e erosão do calcário.
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  • No interior da gruta é comum a formação de estalactites  (no teto) e estalagmites (na base). Estas estruturas resultam do processo de precipitação do carbonato de cálcio que se encontrava dissolvido na água de infiltração.
  • No interior da gruta, as condições, baixa concentração de CO2 e baixa pressão permitem a precipitação do carbonato de cálcio e a formação do calcário.
  • No caso das estalactites a água que goteja do tecto deixa no local de desprendimento uma película de carbonato de cálcio. A deposição sucessiva de carbonato de cálcio permite o crescimento da estalactite.

 

Fonte:  (fonte: Uma História com muitos milhões de anos Do Oceano Tethys ao Barrocal do Algarve. Delminda Moura / Sónia Oliveira)

 

3. ROCHAS SEDIMENTARES BIOGÉNICAS

As rochas sedimentares biogénicas resultam da atividade e/ou de restos de seres vivos.  Neste grupo incluem-se:

  • Calcário conquífero: alguns animais retiram da água hidrogenocarbonato de cálcio que usam para construir as suas conchas ou carapaças calcárias. Quando os animais morrem as conchas ou carapaças depositam-se, sofrem diagénese e originam o calcário conquífero.
  • Calcário recifal – os corais retiram da água cálcio e hidrogenocarbonato que usam para edificar os recifes de coral.
  • Carvão – o carvão é uma rocha biogénica com origem em restos de seres vivos.

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Formação dos combustíveis fósseis

 

1. CARVÃO – INCARBONIZAÇÃO

 

  • O carvão é uma rocha sedimentar de origem biogénica.
  • O seu processo de formação decorreu da deposição de restos vegetais em lagos e pântanos, onde o baixo hidrodinamismo permitiu a deposição de sedimentos finos e impermeáveis sobre esses restos vegetais, criando um ambiente anaeróbio (sem oxigénio) que possibilitou a atuação de bactérias anaeróbias que iniciaram a transformação dos restos vegetais em carvão.
  • A deposição sucessiva de novas camadas sedimentares conduziram ao afundamento e subsidiência dos estratos com consequente aumento da temperatura  e pressão permitindo assim gerar diferentes variedades de carvão.

Figura – Etapas de formação do carvão mineral, com seus respectivos nomes. Figura modificada de BYJU’S.

  • No processo de formação do carvão, à medida que ocorreu o afundamento progressivo dos restos vegetais, ocorreu a eliminação de água e o aumento do teor em carbono.
  • O potencial calorífico de um carvão relaciona-se com o seu teor em carbono, sendo tanto maior quanto maior o seu teor em carbono.

Figura –  Composição química média e potencial calorífico aproximado dos diferentes tipos de carvão mineral. Fonte: Cano (2009).

 

  • Apesar da antracite apresentar um elevado teor em carbono e portanto um elevado potencial calorífico, apresenta elevada dureza o que dificulta a sua combustão o que dificulta a sua utilização como combustível fóssil.

2. PETRÓLEO – BETUMINIZAÇÃO

  • O processo de formação do petróleo e gás natural teve lugar a partir de restos orgânicos (animais e vegetais) que após a sua morte se depositaram nos fundos oceânicos, principalmente ao nível das plataformas e, sobre estes depositaram-se sedimentos finos e impermeáveis, num ambiente de baixo hidrodinamismo, criando um ambiente anaeróbio, retardando ou impedindo a decomposição da matéria orgânica por decompositores aeróbios, ao mesmo tempo que permitiu a atuação de bactérias anaeróbias.
  • O afundamento progressivo com consequente aumento da pressão e temperatura reuniu as condições necessárias para a transformação dos restos de organismos em hidrocarbonetos.
  • Os hidrocarbonetos localizam-se em estruturas geológicas que constituem armadilhas petrolíferas.
  • As armadilhas petrolíferas estão geralmente associadas dobras ou falhas.
  • Das armadilhas petrolíferas fazem parte, a  rocha-mãe, a rocha armazém e a rocha cobertura.

Figura – Armadilha petrolífera associada a uma dobra.

 

Figura 2 – Armadilha petrolífera associada a falha.

 

 

Figura – Associação dos domos salinos às jazidas petrolíferas.

 

Figura  – Localização dos hidrocarbonetos.

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