Voltar a: Geologia – 11ºAno
Principais etapas de formação das rochas sedimentares.
Tipos de rochas sedimentares
- O planeta Terra é um planeta geologicamente ativo, apresentando atividade geológica interna e externa.
- A atividade geológica interna está associada ao calor interno da Terra, resultante do decaimento radioativo, bombardeamento primitivo e compressão gravítica.
- A atividade geológica externa está associada à energia solar, que acciona o ciclo da água, principal fator de alteração das rochas superficiais.
- Como consequência da atividade geológica formam-se continuamente rochas – Ciclo das rochas.
- Tendo por base a sua origem, as rochas classificam-se em magmáticas, sedimentares e metamórficas.
- As rochas sedimentares são as mais abundantes na superfície terrestre, formando uma fina película que cobre toda a crusta.
Etapas de formação das rochas sedimentares
- As rochas sedimentares formam-se na superfície terrestre a partir de outras rochas pré-existentes por ação dos agentes de meteorização e erosão.
- A formação das rochas sedimentares envolve a sedimentogénese e diagénese.
- A sedimentogénese inclui as etapas de meteorização, erosão, transporte e deposição.
- A diagénese inclui a compactação, a desidratação e a cimentação.
Meteorização
- A meteorização consiste na alteração das rochas pré-existentes e pode ser física ou química.
- A meteorização física ou mecânica consiste na fragmentação da rocha.
- A meteorização química consiste na alteração da composição química e/ou mineralógica da rocha.
Meteorização física
- São vários os agentes de meteorização física das rochas, nomeadamente:
Figura – Meteorização física ( fonte: https://www.bgs.ac.uk/discovering-geology/geological-processes/weathering/)
Água
- A água constitui um dos principais agentes de alteração das rochas.
- A variação da humidade atmosférica provoca variações no teor de água das rochas.
- Quando a humidade atmosférica é elevada a rocha incorpora água e sofre dilatação, quando a humidade atmosférica é baixa a rocha perde água e sofre contração.
- Estes ciclos alternados de dilatações e contrações fragilizam a estrutura da rocha conduzindo à sua fragmentação.
Gelo – Crioclastia
- A água que se acumula nas fraturas das rochas (diáclases) quando sujeita a baixas temperaturas pode congelar.
- Ao congelar aumenta de volume exercendo tensões que conduzem à fraturação da rocha.
- Quanto maior o número de diáclases mais rápida é a fragmentação da rocha.
Crescimento de minerais – Haloclastia
- A água que preenche as fraturas das rochas sob determinadas condições pode evaporar, e os sais que nela se encontram dissolvidos precipitam.
- A precipitação e o crescimento desses minerais exercem tensões que conduzem à fraturação da rocha.
Temperatura
- As variações de temperatura causam variações no volume dos corpos, originando ciclos alternados de contrações e dilatações.
- As contrações e dilatações cíclicas fragiliza a estrutura das rochas conduzindo à sua fraturação.
- O efeito da temperatura é especialmente notório em regiões com grandes amplitudes térmicas diárias (ex. desertos).
Seres vivos
- Os seres vivos constituem importantes agentes de alteração das rochas.
- As raízes das plantas ao crescerem exercem tensões que conduzem à fraturação das rochas.
- Muitos animais escavam tocas e galerias aumentando o grau de desagregação das rochas.
Alívio da pressão- Esfoliação
- As rochas que se localizam em níveis crustais mais profundos estão sujeitas ao peso exercido pelas camadas suprajacentes.
- Quando essas rochas afloram, ocorre um alívio da pressão, as rochas expandem-se e fraturam.
- A ação simultânea do alívio da pressão conduz ao aparecimento de camadas concêntricas na rocha – disjunção esferoidal.
Meteorização química
- Os minerais que entram na constituição das rochas formam-se em condições específicas de pressão e temperatura, assim, quando na superfície terrestre ficam sujeitos a condições de pressão e temperatura diferentes daquelas em que se formam tornam-se instáveis e sofrem alterações químicas e mineralógicas originando novos minerais mais estáveis nas novas condições.
- A meteorização química envolve uma série de reações químicas, sendo por isso favorecidas pelo aumento da temperatura.
- Todas as reações de meteorização química envolvem a água, logo a meteorização química ocorre, quase exclusivamente, em regiões quentes e húmidas.
- As reações de meteorização química envolvem reações de dissolução, hidrólise, hidratação/desidratação e oxidação-redução.
Dissolução
- A dissolução consiste na reação do mineral com a água ou com um ácido.
- Numa reação de dissolução a água ou o ácido provoca a quebra das ligações entre os iões no mineral.
- Entre os exemplos mais comuns encontram-se a dissolução do cloreto de sódio e disssolução do calcário.
Dissolução do cloreto de sódio
- O sal de cozinha é constituído por cloreto de sódio, a adição de água ao cloreto de sódio conduz à quebra da ligação entre o sódio e o cloro, que assim ficam livres em solução.
Dissolução do carbonato de cálcio
- O calcário é uma rocha sedimentar constituída pelo mineral calcite.
- Na natureza é muito difícil encontrar calcário puro assim, para além de calcite o calcário contém impurezas.
- Como resultado das atividades humanas e da atividade geológica (atividade vulcânica) são lançados para atmosefera gases, o dióxido de enxofre e dióxido de carbono.
- Na atmosfera estes gases reagem com a água formando compostos ácidos que estão na origem das chuvas ácidas.
- Quando chuvas ácidas entram em contacto com o calcário provocam a sua meteorização química por dissolução, denominada de carbonatação.
- Nesta reação, o ácido carbónico (H2CO3) reage com a calcite (CaCO3) e origina o ião Ca2+ e HCO3–.
- Como os iões Ca2+ e HCO3 são solúveis são removidos em solução pelas águas de infiltração.
- No local permanecem as impurezas que constituem depósitos de cor avermelhada, denominados de Terra rossa.
CaCO3 + H2CO3→ Ca2+ + 2 (HCO3–)
- Nas regiões calcárias é muito comum a existência de paisagens características denominadas de modelado cársico, resultante quer de fenómenos de dissolução do cálcio quer da sua precipitação.
Figura – Alteração do calcário. As fraturas representadas com linhas brancas tracejadas e os planos de camada representados com linhas pretas contínuas, facilitam a penetração da água. Note que os planos de camada estão quase completamente obliterados devido à alteração. Desta, resultam fragmentos de calcário e argila de cor vermelha (terra rossa). Na alteração deste afloramento, concorreram ambas as formas de meteorização: química (dissolução) e física (fraturação). (fonte: Uma História com muitos milhões de anos Do Oceano Tethys ao Barrocal do Algarve. Delminda Moura / Sónia Oliveira)
Hidrólise
- Na reação de meteorização química por hidrólise, ocorre a reação do mineral com a água ou com um ácido, ocorrendo a substituição de um dos catiões do mineral por iões H+ provenientes da água ou do ácido.
- Um dos exemplos mais conhecidos é o da hidrólise do feldspato potássio, denominada de caulinização.
Caulinização do feldspato potássico
- O feldspato potássico é um mineral constituinte de muitas rochas, nomeadamente o granito.
- Quando águas acidificadas entram em contacto com o feldspato potásssico ocorre a hidrólise do feldspato.
- Nesta reação os iões K+ do feldapato são substituídos pelos iões H+ provenientes das águas acidificadas.
- Consequentemente ocorre uma alteração da composição química do mineral originando um mineral novo (mineral de neoformação) – a caulinite (minerais de argila).
Oxidação- Redução
- As reações de meteorização química por oxidação-redução envolvem a transferência de eletrões.
- Quem perde eletrões sofre oxidação, quem ganha eletrões sofre redução.
- A meteorização química por oxidação-redução é muito comum nos minerais ferromagnesianos (olivina, piroxena, anfíbola e biotite).
- Na superfície terrestre quando estes minerais entram em contacto com a água origina sílica e o ião ferroso.
- O ião ferroso (Fe 2+) ao entrar em contacto com o oxigénio sofre oxidação e origina o ião férrico (Fe3+).
- O ião férrico reage com a água e origina óxidos de ferro, que constituem um novo mineral – a hematite (Fe2O3).
Hidratação-Desidratação
- A hidratação ocorre quando um mineral incorpora água na sua composição.
- Um exemplo de hidratação ocorre quando a hematite reage com a água e forma a limonite.
- A desidratação ocorre quando um mineral perde água.
- Quando o gesso sofre desidratação origina a anidrite.
2. Erosão
- A erosão consiste na remoção (separação) dos sedimentos resultantes da meteorização.
- Ocorre por ação dos agentes erosivos, principalmente a água e o vento.
- A atuação dos agentes erosivos conduz à formação de estruturas peculiares, como as chaminés-de-fada e os blocos pedunculados.
3. Transporte
- Os sedimentos resultantes da meteorização e erosão são transportados pela água, pelo vento e até mesmo pela força gravítica.
- A capacidade de transporte do agente transportador depende da sua energia.
- Agentes transportadores de elevada energia, como um rio de montanha, um glaciar ou uma praia de forte ondulação apresentam a capacidade de transportar sedimentos de grandes dimensões.
- Quando os sedimentos apresentam dimensões reduzidas facilmente se mantêm em transporte.
- Os sedimentos transportados por um rio podem deslocar-se por rolamento ou arrastamento quando apresentam grandes dimensões, por saltação os de dimensões intermédias e em suspensão, os de reduzida granulometria.
4. Sedimentação
- A sedimentação ocorre quando a energia do agente transportador se anula ou é muito reduzida.
- Os sedimentos podem depositar-se nos mais diversificados ambientes, como lagos, rios, praias, deltas, etc. No entanto, as principais bacias de sedimentação localizam-se em ambiente marinho.
- Nas bacias de sedimentação os sedimentos depositam-se formando camadas mais ou menos horizontais, os estratos.
- Os sedimentos de elevada granulometria facilmente se depositam, já os de reduzida granulometria apenas se depositam em ambientes de baixo hidrodinamismo, como lagos e planícies de inundação fluvial.
- O diagrama de Huljstrom relaciona a velocidade da corrente necessária para que partículas de diferente granulometria sofram erosão, transporte ou sedimentação.
5. Diagénese
- Nas bacias de sedimentação, devido ao peso das camadas suprajacentes, os sedimentos das camadas inferiores vão sofrendo compactação com diminuição progressiva da progressiva da porosidade.
- Com o afundamento progressivo a água que ocupava os espaços livres entre os sedimentos é eliminada – desidratação – e as substâncias dissolvidas preciptam formando um cimento – cimentação.
Classificação das rochas sedimentares
A classificação das rochas sedimentares tem por base a origem dos sedimentos que entram na sua constituição. Assim são classificadas em:
1. ROCHAS SEDIMENTARES DETRÍTICAS
- A classificação das rochas sedimentares detríticas tem por base a granulometria dos sedimentos (clastos) e o facto destes terem sofrido ou não processos de diagénese.
- O estudo das rochas sedimentares detríticas fornece importantes informações acerca da rocha mãe dos sedimentos.
- Não consolidadas, também chamadas de móveis ou desagregadas : resultam de processos de sedimentogénese não seguidos de diagénese. Incluem os balastros, as areias, os siltes e as argilas (ordem decrescente de tamanho).
- Consolidadas ou coerentes: resultam de processos de sedimentogénese seguidos de diagénese. Incluem os conglomerados (diagénese de balastros), as brechas (diagénese de balastros), arenitos (diagénese de areias), argilitos (diagénese de argilas) e siltitos (diagénese de siltes).
Nota:
– Os conglomerados e as brechas resultam da diagénese de balastros, no entanto os balastros que entram na constituição dos conglomerados são arredondados e os que entram na constituição das brechas são angulosos.
A – Conglomerado B – Brecha
– Os arenitos, arcoses ou grauvaques resultam da diagénese das areias.
– Os argilitos resultam da diagénese incompleta das argilas, pois não ocorre a fase de cimentação.
2. ROCHAS SEDIMENTARES QUIMIOGÉNICAS
As rochas sedimentares quimiogénicas resultam da evaporação da água e/ou precipitação das substâncias em solução. A sua formação requer condições ambientais muito específicas, assim o estudo destas rochas permite determinar as condições ambientais associadas à sua formação.
A formação das rochas sedimentares quimiogénicas ocorre, geralmente:
- em regiões áridas, onde as elevadas temperaturas potenciam uma intensa evaporação.
- em bacias oceânicas onde a concentração de sais é muito elevada.
Figura – Chaminés de Fada em rochas calcárias
Figura – Depósitos de halite
A precipitação das substâncias dissolvidas na água ocorre de acordo com o seu grau de solubilidade, de tal modo que primeiro precipitam as mais insolúveis e só em última instância precipitam as mais solúveis.
Ordem de precipitação:
- carbonato de cálcio ⇒ calcite ⇒ calcário travertino
- carbonato de cálcio e magnésio⇒ dolomite
- Sulfato de cálcio ⇒ Gipsite ⇒ Gesso
- Cloreto de sódio ⇒ Halite⇒ Sal-gema
Paisagens calcárias – o Modelado cársico
- As paisagens calcárias constituem relevos denominados de modelado cársico.
- Neste tipo de relevo são comuns os campos de lapiás, as dolinas, os algares, e em profundidade observam-se grutas com estalactites, estalagmites, colunas e rios subterrâneos.
- Os campos de lapiás, as dolinas, os algares e as grutas resultam de processos de dissolução (meteorização química) e erosão do calcário.
- No interior da gruta é comum a formação de estalactites (no teto) e estalagmites (na base). Estas estruturas resultam do processo de precipitação do carbonato de cálcio que se encontrava dissolvido na água de infiltração.
- No interior da gruta, as condições, baixa concentração de CO2 e baixa pressão permitem a precipitação do carbonato de cálcio e a formação do calcário.
- No caso das estalactites a água que goteja do tecto deixa no local de desprendimento uma película de carbonato de cálcio. A deposição sucessiva de carbonato de cálcio permite o crescimento da estalactite.
Fonte: (fonte: Uma História com muitos milhões de anos Do Oceano Tethys ao Barrocal do Algarve. Delminda Moura / Sónia Oliveira)
3. ROCHAS SEDIMENTARES BIOGÉNICAS
As rochas sedimentares biogénicas resultam da atividade e/ou de restos de seres vivos. Neste grupo incluem-se:
- Calcário conquífero: alguns animais retiram da água hidrogenocarbonato de cálcio que usam para construir as suas conchas ou carapaças calcárias. Quando os animais morrem as conchas ou carapaças depositam-se, sofrem diagénese e originam o calcário conquífero.
- Calcário recifal – os corais retiram da água cálcio e hidrogenocarbonato que usam para edificar os recifes de coral.
- Carvão – o carvão é uma rocha biogénica com origem em restos de seres vivos.
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Formação dos combustíveis fósseis
1. CARVÃO – INCARBONIZAÇÃO
- O carvão é uma rocha sedimentar de origem biogénica.
- O seu processo de formação decorreu da deposição de restos vegetais em lagos e pântanos, onde o baixo hidrodinamismo permitiu a deposição de sedimentos finos e impermeáveis sobre esses restos vegetais, criando um ambiente anaeróbio (sem oxigénio) que possibilitou a atuação de bactérias anaeróbias que iniciaram a transformação dos restos vegetais em carvão.
- A deposição sucessiva de novas camadas sedimentares conduziram ao afundamento e subsidiência dos estratos com consequente aumento da temperatura e pressão permitindo assim gerar diferentes variedades de carvão.
Figura – Etapas de formação do carvão mineral, com seus respectivos nomes. Figura modificada de BYJU’S.
- No processo de formação do carvão, à medida que ocorreu o afundamento progressivo dos restos vegetais, ocorreu a eliminação de água e o aumento do teor em carbono.
- O potencial calorífico de um carvão relaciona-se com o seu teor em carbono, sendo tanto maior quanto maior o seu teor em carbono.
Figura – Composição química média e potencial calorífico aproximado dos diferentes tipos de carvão mineral. Fonte: Cano (2009).
- Apesar da antracite apresentar um elevado teor em carbono e portanto um elevado potencial calorífico, apresenta elevada dureza o que dificulta a sua combustão o que dificulta a sua utilização como combustível fóssil.
2. PETRÓLEO – BETUMINIZAÇÃO
- O processo de formação do petróleo e gás natural teve lugar a partir de restos orgânicos (animais e vegetais) que após a sua morte se depositaram nos fundos oceânicos, principalmente ao nível das plataformas e, sobre estes depositaram-se sedimentos finos e impermeáveis, num ambiente de baixo hidrodinamismo, criando um ambiente anaeróbio, retardando ou impedindo a decomposição da matéria orgânica por decompositores aeróbios, ao mesmo tempo que permitiu a atuação de bactérias anaeróbias.
- O afundamento progressivo com consequente aumento da pressão e temperatura reuniu as condições necessárias para a transformação dos restos de organismos em hidrocarbonetos.
- Os hidrocarbonetos localizam-se em estruturas geológicas que constituem armadilhas petrolíferas.
- As armadilhas petrolíferas estão geralmente associadas dobras ou falhas.
- Das armadilhas petrolíferas fazem parte, a rocha-mãe, a rocha armazém e a rocha cobertura.
Figura – Armadilha petrolífera associada a uma dobra.
Figura 2 – Armadilha petrolífera associada a falha.
Figura – Associação dos domos salinos às jazidas petrolíferas.
Figura – Localização dos hidrocarbonetos.




















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