Voltar a: Geologia – 11ºAno
Rochas metamórficas
Metamorfismo de contacto
Metamorfismo regional
Textura foliada e textura não foliada
- Rochas que afloram na superfície terrestre quando são levadas para níveis crustais mais profundos ficam sujeitas a um aumento da pressão e temperatura sofrendo metamorfismo.
- Assim, as rochas metamórficas são rochas que resultam de outras rochas pré-existentes por ação dos fatores de metamorfismo.
Figura 1 – Aumento da pressão e temperatura com o aumento da profundidade (adaptado wikipédia).
Fatores de Metamorfismo
- Fatores de metamorfismo: temperatura, tensão (litostática ou não litostática), fluídos circulantes e tempo.
Temperatura:
- As variações de temperatura em profundidade relacionam-se com o calor interno do planeta acumulado nos primórdios da sua formação, resultante da acreção dos materiais da nébula solar primitiva.
- O gradiente geotérmico e a instalação de corpos magmáticos, induz nas rochas fenómenos de recristalização (sempre com a rocha no estado sólido).
Figura 2 – O aumento da temperatura conduz a processos de recristalização.
- Quando rochas pré-existentes ficam sujeitas a temperaturas superiores a 100ºC, os minerais constituintes das rochas tornam-se instáveis (por quebra de ligações químicas) e originam novos minerais mais estáveis nessas novas condições.
Figura 3 – A temperatura é fator predominante de metamorfismo no metamorfismo de contacto.
Tensão:
- A tensão diz respeito à força exercida por unidade de área.
- Pode classificar-se em tensão litostática ou tensão não litostática.
Tensão litostática (confinante ou não dirigida)
- A tensão litostática, confinante ou não dirigida diz respeito ao peso que é exercido pelas camadas suprajacentes.
- Assim, quando as rochas são levadas para níveis crustais mais profundos ficam sujeitas ao peso exercido pelas camadas suprajacentes.
- Como o peso é uma força que se faz sentir em todas as direções conduz a uma diminuição do volume da rocha.
- A densidade traduz a relação entre a massa e o volume de um material, deste modo, como resultado da atuação da tensão litostática o volume da rocha diminui e a sua densidade aumenta.
Tensão não litostática (dirigida)
- A tensão não litostática ou dirigida ocorre associada ao movimento das placas tectónicas.
- Este tipo de tensão atua preferencialmente em determinada direção.
- Pode conduzir ao alongamento, compressão e até mesmo rotação dos minerais.
Figura 4 – Atuação das tensões não litostáticas e reorientação dos minerais.
- Como resultado da atuação deste tipo de tensão, os minerais orientam-se preferencialmente segundo determinada direção, dizendo-se que a rocha apresenta foliação.
Fluídos circulantes
- Os fluidos circulantes dizem respeito a fluidos que podem ter diversas origens ( fluídos hidrotermais, fluidos magmáticos, etc.).
- Estes fluídos incorporam diversos elementos químicos (água, silíca, iões, etc.) que, ao entrarem em contacto com as rochas encaixantes promovem reações químicas que alteram a composição química e mineralógica dessas mesmas rochas.
Tempo
- Quanto maior a duração da atuação do fator de metamorfismo, maiores serão as alterações sofridas pelas rochas e maior será o grau de metamorfismo.
Tipos de metamorfismo
- De acordo com os fatores de metamorfismo mais relevantes para a génese das rochas metamórficas, considera-se a existência de três tipo principais de metamorfismo: de contacto, regional e de impacto.
Metamorfismo de Contacto
Figura 5 – Metamorfismo de contacto ( adaptado de :https://www.geologyin.com/2014/03/contact-metamorphism.html)
- O metamorfismo de contacto ocorre na proximidade de uma intrusão magmática (magma) ou extrusão magmática (lava).
- Neste tipo de metamorfismo os fatores de metamorfismo mais relevantes são a temperatura e os fluídos circulantes.
- Por ação destes fatores, os minerais constituintes das rochas sofrem recristalização.
- A zona localizada em torno da intrusão magmática que sofre metamorfismo constitui a auréola metamórfica.
- É um tipo de metamorfismo localizado.
- Neste tipo de contexto formam-se, geralmente, rochas como o mármore, o quartzito e a corneana.
- O mármore forma-se a partir da recristalização do calcário, em que os cristais de calcite sob a ação dos fatores de metamorfismo, recristalizam originando cristais de calcite de maiores dimensões.
- O quartzito forma-se a partir da recristalização de minerais de quartzo, podendo ter origem, por exemplo, a partir do arenito. Neste processo, os cristais de quartzo do arenito recristalizam originando cristais de quartzo de maiores dimensões.
Figura 6 – Transformação do arenito em quartzito por processos de metamorfismo.
- A corneana é um tipo de rocha metamórfica que se forma na zona de contacto direto com a intrusão magmática, podendo ter origem a partir de diversos tipos de rochas, nomeadamente o argilito.
Figura 7 – Transformação do argilto em corneana por processos de metamorfismo.
Metamorfismo regional:
- O metamorfismo regional é comum nas bacias de sedimentação (a grandes profundidades) e nas fossas de subducção.
- Nestes locais a subsdiência (afundamento) progressivo conduzem a um aumento progressivo da temperatura e pressão que induz sucessivas recristalizações.
Figura 8- Metamorfismo Regional.
- Este tipo de metamorfismo afeta extensas áreas.
- Abrange uma grande diversidade de fatores de metamorfismo como a tensão (litostática e não litostática), a temperatura e os fluidos.
- Como neste tipo de metamorfismo atuam as tensões não litostáticas ou dirigidas, as rochas resultantes apresentam foliação.
Metamorfismo de impacto
- O metamorfismo de impacto está associado ao impacte de meteoritos. Aquando da colisão do meteorito forma-se uma cratera de impacte, onde as rochas ficam sujeitas a elevadas pressões e temperaturas sofrendo processos de recristalização.
- As rochas lunares de origem magmática (basaltos e anortositos) encontram-se localmente metamorfizadas como resultado do impacte de meteoritos.
Figura 9 – Metamorfismo por impactismo.
Textura das rochas metamórficas
A ação dos fatores de metamorfismo causa alterações na textura das rochas. Assim, a textura das rochas metamórficas pode ser classificada em:
- Textura não foliada (granoblástica): a textura não foliada é característica de rochas resultantes de processos de metamorfismo de contacto. Pode também ser chamada de textura granoblástica. Exemplos: Corneana, mármore e quartzito.
- Textura foliada: a textura foliada é característica das rochas resultantes de processos de metamorfismo regional. A presença de foliação indica que as tensões não litostáticas (dirigidas) presidiram à génese da rocha. Exemplos: ardósia, filito, xisto e micaxisto e gnaisse.
Tipos de foliação
Genericamente considera-se a existência de três tipos de foliação: a clivagem ardosífera, xistosidade e bandado gnaissico.
Figura 10- Tipos de foliação (fonte: adaptado de Grotzinger et al., 2010].
- Clivagem ardosífera: caraterística de rochas de baixo grau de metamorfismo e de granularidade fina, sendo difícil identificar os planos de estratificação.
- Xistosidade: rochas de grau intermédio de metamorfismo e de granularidade média a grosseira, sendo possível identificar os planos de estratificação, quando sujeitas a forças separam-se lâminas.
- Bandado gnaissico: característicos de rochas de elevado grau de metamorfismo. Os minerais dispõem-se em bandas , alternando minerais de cor clara com minerais de cor escura e de grão grosseiro. Quando sujeita a forças não quebra em planos paralelos.
Figura 11 – O xisto e o gnaisse apresentam foliação.
Minerais Índice
Minerais índce são minerais que permitem determinar as condições de metamorfismo (pressão e temperatura) que presidiram à formação das rochas. Podem indicar condições de baixo grau, médio grau e elevado grau de metamorfismo.
- Baixo grau – indicam pressões e temperaturas baixas (100-200ºC) e incluem os minerais clorite, moscovite e biotite .
- Médio grau – indicam condições de temperatura entre 200º e 500º C e incluem minerais como as granadas e as estaurolites.
- Elevado grau – indicam condições de temperatura a 800º C e incluem minerais como a silimanite.
Figura 12 – Minerais índice.
Figura 13 – aumento do grau de metamorfismo em função do aumento da temperatura e pressão.
Figura 14 – Polimorfos de aluminossilicatos (Al2SiO5).
Nota: Os minerais de andaluzite, distena (cianite) e silimanite são minerais que permitem determinar as condições de metamorfismo. Estes minerais apresentam a mesma composição química (silicatos de alumínio) no entanto podem cristalizar de forma diferente, dependo das condições de pressão e temperatura existentes no momento da sua formação – minerais polimorfos.














