Voltar a: Geologia – 11ºAno
- A água é um composto fundamental à vida, sem água não existe vida tal qual a conhecemos.
- Apesar do planeta Terra ser conhecido como planeta azul, a quantidade de água doce disponível para o Homem é pouco significativa – figura 1.
Figura 1
- O crescimento da população humana está a conduzir a um incremento muito significativo do consumo de água, quer relacionado com as actividades humanas quer com a crescente industrialização.
- A água é um recurso natural renovável que se encontra em constante circulação entre os diferentes subsistemas terrestres – ciclo da água.
- A água que cai na superfície terrestre pode sofrer escorrência superficial, indo parar a lagos, rios ou oceanos, ou sofrer infiltração constituindo os lençóis freáticos.
Aquíferos
- Um aquífero constitui uma formação geológica capaz de efetuar o armazenamento de água.
- Para constituir um bom aquífero a formação geológica deverá apresentar uma elevada porosidade e uma elevada permeabilidade.
- A porosidade diz respeito ao espaço vazio existente entre os sedimentos ou cristais constituintes da rocha e relaciona-se com a capacidade de armazenamento de fluídos.
- A permeabilidade diz respeito à velocidade com que a água se desloca nesses espaços livres e relaciona-se com a maior ou menor facilidade em extrair a água armazenada.
- Uma rocha pode apresentar uma elevada porosidade e uma baixa permeabilidade.
- Diferentes tipos de rochas apresentam diferentes graus de porosidade e permeabilidade.
- No caso das rochas magmáticas e metamórficas quando não alteradas não constituem bons aquíferos. Apenas constituirão bons aquíferos se se apresentarem altamente fissuradas/meteorizadas.
- No caso das rochas sedimentares detríticas apenas constituem bons aquíferos às de granulometria média ou grosseira e constituídas por sedimentos bem calibrados.
- As sedimentares de granulometria mais fina, como é o caso das argilas, apesar de apresentarem elevada porosidade apresentam reduzida permeabilidade, pelo que não constituem bons aquíferos.
- As rochas sedimentares quimiogénicas, como é o caso do calcário, apresentam muitas vezes cavidades causadas por fenómenos de dissolução, constituindo assim bons aquiferos, denominados aquíferos cársicos.
Tipos de aquíferos
- De acordo com o tipo de rochas que delimitam o aquífero estes classificam-se genericamente em aquíferos livres ou aquíferos confinados/cativos.
1. AQUÍFERO LIVRE
- Um aquífero livre é delimitado inferiormente por rochas impermeáveis e superiormente por rochas permeáveis.
- Num aquífero livre considera-se a existência de duas zonas, a zona de saturação em que os espaços livres entre as partículas do solo estão completamente preenchidas por água e a zona não saturada/zona de aeração em que os espaços entre as partículas do solo estão preenchidas por ar e água.
- A linha que separa a zona de saturação da zona de aeração denomina-se nível freático ou hidrostático.
- A recarga de um aquífero livre ocorre pela zona de aeração.
- A pressão da água no aquífero é idêntica à pressão atmosférica.
- Para efetuar a extração da água do aquífero é necessário efetuar bombeamento.
adaptado de : Estudo de Sistemas Hidrogeológicos no Norte e Centro de Portugal, António Agostinho Madureira de Sousa Mestrado em Geologia
Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território 2015
- Em aquíferos livres sujeitos a extração de água, o nível freático pode subir ou descer em função do ritmo de extração e de recarga do mesmo. Assim, em períodos de seca prolongada o nível freático desce, enquanto que em períodos de precipitação prolongada o nível freático torna-se mais superficial.
Importante: Existem aquíferos cuja zona de aeração apesar de apresentar alguma permeabilidade esta não é muito elevada dizendo-se aquíferos semi-confinados . Num aquífero livre em situação de precipitação muita intensa o risco de contaminação/lixiviação aumenta com a diminuição da permeabilidade da zona de aeração, pois ao atravessar a zona de aeração a água desloca-se a menor velocidade aumentando o contacto com as partículas do solo, arrastando assim maior quantidade de contaminante.
2. AQUÍFERO CONFINADO OU CATIVO
- Um aquífero diz-se confinado ou cativo quando é limitado superior e inferiormente por formações geológicas impermeáveis.
- A recarga dos aquíferos cativos ou confinados está associada a um acidente tectónico, uma dobra ou falha, ocorrendo pela lateral.
- A pressão da água no aquífero confinado é superior à pressão atmosférica.
- O nível a que água do aquífero atinge a pressão atmosférica é designado de nível piezométrico.
- Quando o nível piezométrico se localiza acima da cota da superfície diz-se que se trata de artesianismo repuxante, e a extração de água deste tipo de aquífero não requer bombeamento.
- Neste tipo de aquífero o nível hidrostático coincide com o nível piezométrico.
SOBREEXPLORAÇÃO E CONTAMINAÇÃO DOS AQUÍFEROS
- O consumo crescente de água tem conduzido à sobreexploração dos aquíferos, assim, quando a taxa de exploração do aquífero supera a sua taxa de recarga o nível freático/hidrostático desce tornando-se menos superficial, gerando-se um cone de depressão.
- Quando os aquíferos se localizam em regiões costeiras a sua sobre-exploração pode conduzir à contaminação do aquífero por água salgada.
- Com a água salgada é mais densa do que a água doce dispõem-se em cunha sobe a água doce.
- A continua extração de água leva a que a interface água doce- água salgada se desloque para a superfície ocorrendo assim a contaminação.
- Para além da sobre-exploração, um outro problema associado aos aquíferos relaciona-se com a contaminação das águas de percolação pelos pesticidas, fertilizantes e outros produtos de origem química ou biológica. As águas de percolação sofrem assim lixiviação arrastando consigo os contaminantes para o aquífero.
Tipos de águas
- As águas são classificadas de acordo com a sua mineralização e de acordo com a sua temperatura.
- Podem classificar-se em águas meteóricas, hidrominerais e termominerais.
- Quanto maior a profundidadade do aquífero maior a mineralização da água (salubridade), pois a maior profundidade do reservatório origina uma maior temperatura dos fluidos, aumentando o seu poder solvente/poder de dissolução.
- Por outro lado, quanto maior o tempo de permanência da água no aquífero maior a sua mineralização.














